Uma luz em meio à escuridão incessante
-“Hope” is the thing with feathers -
That perches in the soul -
And sings the tune without the words -
And never stops - at all (EMILY DICKINSON)
O desconforto e desespero providos pela solidão e ofuscamento extasiante da noite sem luar torna os seus alvos conclamadores de um salvador,representado no seu único e último salvador da condição imposta-lhe pelo destino.Porém tais clamores pairam ao ar sem ter destinatário e resposta,por confiarem que uma esperança emolduraria-se necessariamente sozinha.Esperam um gigante em que possam depositar toda a confiança e credibilidade.
Afinal,a esperança nada mais é que um chamado rumo ao infinito pedindo que revivam-se as aspirações daqueles pedintes,nulificada pela recusa ou falta de voluntários em atendê-lo.
"A escuridão é infinita - quão pouca luz existe! Quando chegarão os mortos a ver o esplendor do sol?"(Gilgamesh)
O resplendor,no entanto,não é determinado pela infinitude de dores que a existência possa ter.O verdadeiro espírito encontra-se no próprio alvo de agouros,que levanta-se independentemente de serem seus esforços sem alicerce fora a sua determinação e eventuais ideias
"Para evitar o inconveniente de que se pense que eu,logo eu,tirei de meu fundo minhas próprias ideias..."(Adelardo de Bath)
Encontra forças acompanhado por algo maior que si ou reconhece a liberdade de moldar o próprio destino da ausência de acompanhante.Dependente ou independentemente de algum princípio axiológico,transforma-se na matéria motriz da mudança.
O fogo do espírito nasce da própria vontade de superação dos estados mais cruéis e frios.Usa do sangue e da alma,não por degradá-los,mas para inspirar com seu calor outras chamas virtuosas e incendiar até a mais mácula névoa,criando novamente o derradeiro caminho à luz da manhã,simbolizada na tradição formada dessa chama.
E assim surgem os gigantes que outros podem enfim aplainar-se para ver melhor o horizonte,além de qualquer passado obstáculo.
"Se eu vi mais longe, foi por estar sobre ombros de gigantes"(João de Salisbury)
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